
A maré sempre volta.
E traz aquilo que esperávamos,
tivesse afundado com um cargueiro qualquer.
A ressaca do mar encharca os olhos.
E o sal,
Arde no corte escondido na sola do pé.
Timidamente ao cair da tarde
Ela vem se aproximando...
Até que quando a lua está alta
já nos alcança em cheio.
Destrói o castelo de areia
E traz consigo qualquer coisa de triste.
Fala,
quase chora,
quando a onda quebra antes de chegar à praia.
Fecho os olhos e lembro do som...
Que é como se algo se quebrasse dentro de mim.
E depois
Lentamente
Quando o mar acalma...
Eu mesmo uno os caquinhos...
Como uma resignação
diante do Mistério.
O sono do mar...
A voz,
o segredo do marinheiro que afundou.
- Troféu de Menção Honrosa no V Varal de Poesia - 2009 - Unicentro
(Van Gogh - Barcos de Pesca na Praia de Santa Mãe Maria - 1888)